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Alta do dólar vai aumentar preço dos alimentos e gerar desemprego

O dólar comercial atingiu o valor de R$ 4,21 nesta quinta-feira (30). Fechou o dia valendo R$ 4,1463 – a 2ª maior cotação desde a criação do Plano Real, em janeiro de 2016. A alta da moeda norte-americana reflete na vida dos brasileiros e, se continuar aumentando o valor, pode fazer com que a alimentação fique mais cara e até mesmo gerar desemprego em alguns setores da indústria.
O professor de economia da FIA Labfin Alexandre Cabral explica ao R7 como o dólar chegou nesse patamar nos últimos meses.
“Há uns dois meses, o dólar subia e caía, estava patinando, mas começou a subir sem parar. Temos dois grandes motivos para isso: o cenário local e o externo”, diz.
“O segundo turno da eleição ainda é um grande mistério. O resultado da eleição também é uma grande dúvida, porque existe a possibilidade de o presidente ser o terceiro candidato mais votado ser o eleito. Imagina um gringo lendo que o terceiro pode ser eleito e não os dois mais populares? Ele não tem confiança”, completa.
Ainda de acordo com Alexandre, o cenário externo também contribui para a alta do dólar. Estados Unidos e Turquia estão em meio a uma crise política e diplomática. Donald Trump anunciou o aumento das taxas sobre a importação de aço e alumínio turcos e isso fez com que a lira, a moeda turca, se desvalorizasse. Alexandre explica ainda que o Banco Central da Turquia está enfrentando problemas internos.
“Está acontecendo tudo ao mesmo tempo. O Trump peitar a China, afeta o comércio. Mas a partir do momento em que ele enfrenta a Turquia, o mercado começa a comparar com o Brasil.”
Banco Central vende US$ 1,5 bilhão para conter alta do dólar
Nesta quinta, o banco central argentino anunciou que aumentou a taxa de juros para 60%, de 45%, e ainda aumentou em cinco pontos percentuais a taxa de compulsório para bancos privados.
“Hoje [quinta-feira (30)], está correndo um boato no mercado da Turquia de que duas pessoas do BC de lá vão pedir demissão. Dizem que eles são os mais respeitados de lá”, contextualiza. “para piorar o cenário externo, temos um vizinho chamado Macri [Mauricio, presidente da Argentina], que subiu os juros para tentar controlar o peso argentino.”
Mas como isso afeta a vida do brasileiro?
O professor de economia da FGV Joelson Sampaio explica que o dólar está mais presente na vida do brasileiro do que muitos imaginam.
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“Pode pensar na vida das pessoas, na parte de consumo, em itens como a cesta básica, alimentos em geral, alimentos que levam farinha de trigo, como macarrão, pão, entre outros. Os preços são repassados para a população e acaba afetando o preço final”, explica.
Alexandre explica ainda que os alimentos ficam mais caros devido ao frete. “O combustível afeta o preço do que as pessoas consomem. E ele fica mais caro porque segue o preço internacional. Isso acaba refletindo no que as pessoas consomem, porque o frete fica mais caro o frete. É isso que encarece os produtos.”
Além disso, os alimentos ficam mais caros porque os produtos usados na plantação são importados. “Quando um cara vai comprar um fertilizante, vai repassar esse preço para o consumidor. O setor agro vai sentir bastante. Algumas coisas já estão começando a pingar nos preços finais.”
Desemprego
Se o dólar continuar em alta até o fim do ano, pode gerar desemprego para os brasileiros. “O setor industrial depende muito do petróleo. O nosso cotidiano tende a ficar mais caro. Algumas empresas não conseguem repassar o valor para a população, porque não são produtos essenciais. Repassa até um certo limite, porque senão não vende, aí demite”, diz Alexandre.
Para Joelson, o desemprego é uma possibilidade mais remota. “A alta do dólar provavelmente é passageira. Porém, se ficar nesse nível, pode ter demissões em alguns setores. Temos um pouco de estoque em alguns produtos também. Isso faz demorar um pouco pra chegar o aumento na população. O que gera o dólar alto é a economia não crescer.”
Inflação
Os dois economistas concordam quanto à inflação. De acordo com eles, a inflação vai aumentar por conta da alta do dólar. No entanto, como está em um patamar baixo, ainda não é motivo de preocupação. “Inflação de alimentos tem um pouco mais de repasse do que os outros setores. Mas podemos dizer que substitui um repasse por outro”, avalia Alexandre. “Afeta inflação, mas como estamos com um nível muito baixo, ainda acaba o ano com uma inflação dentro da meta”, explica Joelson.
Energia mais cara
O dólar também pode fazer com que a energia pese no bolso do consumidor. “Com o combustível mais caro, a energia elétrica pode ter um aumento de preço também”, avalia Joelson.

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