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Preço do frango cai 9% em um ano e deve ficar ainda mais barato

“A solução imediata é que o mercado interno consuma [o excedente que seria vendido ao exterior], e com isso o preço cai ainda mais. É melhor reduzir a margem de lucro do que ter perda financeira”, diz o economista Frederico Martini, professor do Ibmec-BH.
O veto ao frango brasileiro começou em março de 2017, logo após a Polícia Federal deflagrar a primeira fase da operação Carne Fraca, que investiga fraudes no controle sanitário de frigoríficos brasileiros. Desde então as vendas para o mercado externo diminuíram, aumentando os estoques no Brasil e puxando os preços para baixo.
“Isso também impacta outros tipos de carnes porque gera concorrência”, avalia o economista Sandro Maskio, professor da Universidade Metodista de São Paulo.
Nos últimos 12 meses (de maio de 2017 a abril de 2018), o frango inteiro ficou 9,27% mais barato, enquanto o frango em pedaços caiu 8,12%, de acordo com o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação brasileira calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
No mesmo período, as carnes (que incluem porco, cordeiro e, principalmente, cortes bovinos) recuaram 3%. Os peixes caíram 1,52%.
Em volume, as exportações de frango cresceram ininterruptamente entre 2005 e 2016, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), quando atingiu 4,38 milhões de toneladas, mas caiu 1,4% em 2017, para 4,2 milhões de toneladas.
Em resultados financeiros, as exportações de frango atingiram o pico entre 2011 e 2014, com média de US$ 8 bilhões vendidos em cada um dos anos. Em 2016, o montante exportado caiu para US$ 6,8 bilhões, recuperando 5,7% no ano passado, para US$ 7,236 bilhões em receitas.
                                                         
Ajuste do mercado
A queda no preço do frango, contudo, não deve durar muito tempo. De acordo com o vice-presidente da ABPA e diretor de Mercados, Ricardo Santin, o embargo ao produto brasileiro vem causando efeitos mais fortes desde novembro, quando as empresas iniciaram ajustes na produção. Em outras palavras, isso significa reduzir o número de trabalhadores e diminuir a produção.
“As empresas estão reduzindo suas produções pelo excesso de produto decorrente das exportações não realizadas e pela pressão do custo de produção, que se acentuou a partir de janeiro, agora em pico relevante, porque os custos de milho e farelo de soja se acentuaram bastante”, afirma Santin.
A gigante BRF (dona das marcas Sadia e Perdigão), que responde por 12 dos 20 frigoríficos que perderam o certificado de exportação para a Europa, já concedeu férias coletivas a cerca de 7.000 funcionários em plantas de Goiás, Paraná e Santa Catarina. Em nota, a BRF diz que está “realizando um estudo de sua produção” e que “avaliará as melhores alternativas para definir a sua produção futura”.
A Aurora também anunciou férias coletivas para as próximas semanas em duas plantas de Santa Catarina, atingindo cerca de 2.500 trabalhadores.
“Algumas medidas já foram tomadas e agora em maio começam os efeitos da adequação do mercado. Em junho deve estar equilibrado novamente, com alta de preços ou estabilização”, prevê Santin.
Martini, professor do Ibmec-BH, afirma que as vendas de frango para a Europa vêm diminuindo há uma década, o que já poderia ter levado os exportadores a diversificar o mercado.
“O Brasil tem que aprender que a União Europeia é um bom mercado, mas tinha que desenvolver outros mercados. Faltou o dever de casa dos exportadores”, opina.
A União Europeia é o terceiro maior mercado do frango brasileiro, com 399 mil toneladas compradas em 2016. Na ponta estão Arábia Saudita (746,4 mil toneladas) e China (484,5 mil toneladas). Japão vem em quarto lugar, com 397 mil toneladas importadas do Brasil.
Risco sanitário X Batalha comercial
Desde o início da Carne Fraca, a União Europeia tornou mais rígida a fiscalização de produtos brasileiros que chegam ao bloco. Inspetores europeus vieram ao Brasil no ano passado e descobriram, conforme revelou o R7, diversas irregularidades nos frigoríficos autorizados para exportação, como a presença de um veterinário pago pela empresa na equipe do SIF (Serviço de Inspeção Federal) e o não cumprimento de exigências europeias.
Para o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o embargo tem razões econômicas e se trata de uma guerra comercial com objetivo de proteger os produtores europeus. O governo federal anunciou que irá recorrer à OMC (Organização Mundial do Comércio) para reverter a decisão.
Os produtores nacionais alegam o mesmo motivo. Para a BRF, “a decisão parece ter sido motivada pela proteção do mercado local e não por questões de saúde e qualidade”.
Segundo Santin, os estudos para levar o caso à OMC já começaram. Governo e produtores brasileiros querem discutir o conceito de produto cozido e “in natura”, porque isso diferencia a forma de fiscalização da Europa sobre o frango brasileiro.
Como a carne brasileira tem acréscimo de 1,2% de sal, o produto é considerado cozido, e por isso a Europa não admite traços da salmonella, bactéria que é naturalmente encotrada nos animais e que é destruída após 15 segundos de cozimento ou fritura.
Os produtores querem que esse tipo de produto não seja mais considerado cozido. A tolerância europeia é bem maior quando o produto é considerado “in natura”, já que ele ainda passará por cozimento.
O professor do Ibmec-BH concorda que se trata de uma “questão diplomática”.
— Nós brasileiros consumimos esse produto e ninguém fica contaminado.
Com R7

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