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Governo do Rio Grande do Norte confirma 27 mortos em rebelião

O governo do Rio Grande do Norte confirmou, por volta das 18h deste domingo, que 27 presos foram mortos durante rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na região metropolitana de Natal. Mais cedo, o Instituto Técnico de Perícia do Rio Grande do Norte (Itep) havia informado que o número de mortes chegava a 30. Vídeos que estão sendo repassados pelo WhatsApp mostram os corpos de ao menos 20 detentos.
Pela manhã, o secretário de Justiça e Cidadania do Rio Grande do Norte, Wallber Virgolino, informou que eram pelo menos 15 mortos dentro da unidade prisional. A rebelião, que começou na tarde de sábado, é considerada por Virgolino como ” a pior crise do sistema penitenciário do Rio Grande do Norte em termos de mortes”. Nove presos feridos no motim foram levados a um hospital na região metropolitana para receber atendimento médico.
SEIS PRESOS QUE COMANDARAM MOTIM SÃO IDENTIFICADOS
Virgolino disse, em entrevista coletiva na manhã deste domingo, que já foram identificados ao menos seis presos que comandaram a rebelião em Alcaçuz. Ainda de acordo com o secretário, eles vão ser transferidos para outra penitenciária.
A informação de que a rebelião está controlada é confirmada pelo governo potiguar. No entanto, presos do pavilhão quatro e cinco caminham livremente pelo telhado dos pavilhões.
— (A rebelião) Está controlada. Fizemos um trabalho durante toda a noite, e isso foi imprescindível para que fizéssemos a intervenção dos grupos táticos, especialmente o Batalhão de Choque e o Bope. Não há nenhum tipo de conflito ou rebelião em Alcaçuz — afirmou o secretário estadual de Segurança Pública, Caio Bezerra, que também participou da entrevista coletiva.
A rebelião foi controlada após pouco mais de 14 horas. Os detentos iniciaram o motim às 17h de sábado (horário local, 18h em Brasília) e se renderam depois que a Tropa de Choque da Polícia Militar entrou nos pavilhões, na manhã de domingo. Segundo a secretaria de Segurança, não houve troca de tiros.
De acordo com Virgolino, os presos cortaram fios de eletricidade da penitenciária no início da rebelião. A unidade ficou sem energia e os bloqueadores de sinal de celular pararam de funcionar. Com isso, os detentos conseguiram entrar em contato com as famílias. O secretário disse que um preso conseguiu fugir, mas foi recapturado. Ele teria avisado sobre o número de mortos.
REBELIÃO NO RIO GRANDE DO NORTE
O secretário de Justiça explicou que a rebelião começou quando os presos do pavilhão 5, onde estão cerca de 400 membros de uma facção criminosa, invadiram o pavilhão 4, que abriga cerca de 200 apenados de uma facção rival.
— Os presos aproveitaram o fim da visita para, de forma simultânea e em grande aglomeração, sair do pavilhão 5 e se dirigiram ao pavilhão 4, onde houve algumas mortes. Mas a Sejuc, junto com a Polícia Militar, controlou a parte externa para evitar fugas. Subimos em cima das guaritas e lançamentos munições com gás para conter o avanço e separamos as facções — disse Virgolino.
O secretário de Segurança informou, ainda, que equipes da Polícia Civil estão apurando as circunstâncias da rebelião e, em seguida, os envolvidos serão responsabilizados. Nem o secretário de Segurança Pública, nem o secretário de Justiça descartaram hipóteses de facilitação de agentes públicos para a rebelião.
— Ainda é cedo para chegar a qualquer conclusão — disse Bezerra.
Segundo Virgolino, há relatos sobre a presença de armas dentro do presídio durante o motim. Durante a semana, antes da rebelião, a Polícia Militar realizou quatro operaçãos na penitenciária e apreendeu armas com os presos. O secretário de Justiça foi questionado se havia relação entre os motins em Manaus e no Rio Grande do Norte. Ele negou:
— A situação no Norte estimulou os presos, mas não tem relação com a situação do Rio Grande do Norte.
A Penitenciária Estadual de Alcaçuz fica em Nísia Floresta, a cerca de 40 quilômetros de Natal, e tem capacidade para 620 presos. Porém, abriga atualmente 1.140 pessoas, segundo dados da secretaria de Justiça e Cidadania.
PERITOS SÃO CONVOCADOS
O diretor-geral do Itep, Marcos Brandão, informou, durante coletiva de imprensa, que essa é “a maior situação em catástrofe” enfrentada pelo estado. Ele explicou que o maior desafio para o Itep será a identificação dos corpos, por causa do estado em que se encontram – decapitados ou sem outras partes do corpo. Para auxiliar a identificação, segundo Marcos Brandão, foram pedidos a ajuda do Ceará e da Paraíba. Atualmente o Itep conta com três médicos legistas.
De acordo com Brandão, cerca de 300 sacos mortuários, com isolamento, estão à disposição das equipes de perícia. Um caminhão-frigorífico foi alugado para fazer o transporte dos mortos até o Itep. O veículo tem capacidade para abrigar 50 corpos. A rua do instituto está isolada.
— Estamos com a perícia no local há 40 minutos, ainda há corpos que foram jogados nas fossas do pavilhão — disse Brandão.
O Itep convocou servidores que estavam fora da escalão para se juntar à equipe que realizará o reconhecimento dos mortos em Alcaçuz. A equipe que passou a trabalhar hoje é integrada por quatro médicos legistas, quatro equipes de perícia criminal — fotógrafo, motorista e perito criminal, além de dois odontologistas, cinco necropapiloscopista, dois psicólogos forenses, que vão prestar assistência às famílias das vítimas e dois assistentes sociais com a mesma finalidade, que informarem sobre documentos pra liberação de corpos.
TEMER DIZ ACOMPANHAR A SITUAÇÃO
Pelo Twitter, o presidente Michel Temer disse que acompanha a situação no presídio do Rio Grande do Norte. O governador do RN, Robinson Faria, entrou em contato com ministro da Justiça, Alexandre de Morais, para que o governo federal acompanhe a situação e pediu reforço da Força Nacional no lado externo do presídio, o que foi autorizado. Na última segunda-feira, o Ministério da Justiça já havia autorizado a prorrogação da permanência da Força Nacional no estado por mais 60 dias.
A rebelião no Rio Grande do Norte é mais um capítulo da crise do setor penitenciário, que já teve rebeliões em cadeias do Amazonas e de Roraima. Na sexta-feira, a Bahia registrou duas fugas em massa. Um total de 38 presos fugiram. Após a explosão de um muro, 23 presos fugiram na madrugada deste domingo da Penitenciária Estadual de Piraquara I, na Região Metropolitana de Curitiba (PR). A Polícia Militar reagiu, e duas pessoas morreram na fuga. No presídio de Ibirité, em Minas Gerais, outras dez fugas foram registradas na madrugada deste domingo.
TIROTEIOS EM NATAL
Três tiroteios simultâneos foram registrados em Natal na tarde deste domingo — nas comunidades conhecida como “Favela do Mosquito” e “Favela do Japão”, ambas na Zona Oeste, e no bairro de Brasília, na Zona Leste. Segundo fontes ouvidas pelo Globo, a ação seria um “salve” dos bandidos , umas espécie de ordem para retaliação de facções criminosas às mortes na penitenciária de Alcaçuz.
O chefe de operações da PM, sargento Lamberto Becris, confirmou a ocorrência dos tiroteios, mas afirmou que a situação nos locais está controlada. Segundo o policial, ninguém ficou ferido:
— Viaturas estavam fazendo patrulha na região da comunidade do Japão e foram recebidos com tiros na comunidade. Ainda não sei se existe relação com o que houve em Alcaçuz, mas nada é descartado.

O Globo

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